domingo, 12 de fevereiro de 2012

Participação no fórum Design-Based Research (DBR) - a discussão


  Sobre a temática em causa pretendia-se que através do fórum e dos blogues realizassemos as nossas reflexões. Deste modo, apresento as reflexões que realizei no fórum. No entanto desenvolvi outras aqui no blogue.




Imagem de António Moreira
Design-Based Research (DBR)- a discussão.
por António Moreira - Segunda, 6 Fevereiro 2012, 00:34

Caros investigadores,
devem colocar neste tema, para discussão, as principais conclusões acerca dos textos que leram e analisaram.
Bom trabalhosorriso






Lisete
Re: Design-Based Research (DBR)- a discussão.
por Maria Lapa - Sexta, 10 Fevereiro 2012, 19:53

Olá a todos:

De acordo com vários autores o modelo Design Research (DBR) é uma metodologia de pesquisa que equilibra os paradigmas positivistas e interpretativa e procura aliar a teoria e a prática pela experimentação de práticas. Assume, assim,o seu foco no desenvolvimento de intervenções pedagógicas, ultrapassando os modelos tradicionais com base na compreensão de que apenas a transmissão dos fatos científicos não são suficientes para desenvolver o conhecimento dos alunos. É, assim, necessário situar os conceitos científicos em contextos sociais e incentivar a investigação e trabalho em grupo (Nelson e tal, 2005, BARAD e tal, 2007).


Trata-se de um modelo de intervenção nas práticas educativas (perspetivando a alteração de práticas dos educadores), numa intervenção que decorre num contexto real, e com uma forte interação dos envolvidos (investigadores, professores, alunos e outros agentes que intervenham na investigação) ao contrário dos modelos mais tradicionais que isolam grupos para estudo. Deste modo, os investigadores envolvem‐se em contextos da vida real criando colaborativamente com os professores (os professores tal como já aqui foi referenciado neste fórum assumem um papel ativo, determinante e parte interessada) inovações e estudando sistematicamente as aprendizagens resultantes. Esta colaboração entre investigadores e professores promove quadros conceituais globais, úteis para o trabalho dos investigadores e para os professores; diminuindo o fosso entre a teoria e a prática e permite a construção de uma espiral contínua de evolução do conhecimento e de inovação. Deste modo, os resultados obtidos de uma investigação desta natureza são do interesse de todos os envolvidos, nomeadamente, dos professores e dos investigadores ou de outros profissionais que participaram ao longo da investigação.



Problemas:
  • A necessidade de ajustamentos necessita que os processos sejam revistos e de novo estudados, deste modo, o investigador poderá por um lado confrontar-se com uma investigação demorada, por outro, deparar-se com uma grande variedade de dados ou mesmo repetidos. Estes apetos poderão refletir-se numa investigação complexa em termos dos dados a classificar e a analisar exigindo um grande esforço em termos de trabalho e de tempo por parte.
  • A entrada da investigação na sala de aula poderá ser considerada por muitos agentes educativos como uma distração ou intrusão em vez de uma contribuição podendo os professores preferir usar abordagens e práticas já conhecidas em vez de se tornarem partes envolvidas num qualquer projeto de investigação. Para além disso alguns professores por questões profissionais e do cumprimento dos programas curriculares e pela morosidade da investigação – decorrentes das necessidades de ajustamentos e até da interacção decorrente em sala de aula - poderá levá-los a não se mostrarem muito interessados/disponíveis para a investigação.
  • Uma investigação desta natureza realiza‐se num contexto muito específico sendo difícil transpor ‐ regra geral ‐ os resultados para outros contextos. Deste modo, deve o investigador procurar / encontrar ao longo da investigação aspetos potenciadores da criação de padrões estandardizados ou pelo menos o desenvolvimento de aspetos que possam ser aplicados em outros projetos.

Até já.
Lisete Lapa



Imagem de António Moreira
Re: Design-Based Research (DBR)- a discussão.
por António Moreira - Quinta, 9 Fevereiro 2012, 10:44

Bom trabalho Natália!
Já fiquei a saber um pouco mais sobre DBR! piscar Espero que tenha feito uma leitura construtiva!
Saudações





Lisete
Re: Design-Based Research (DBR)- a discussão.
por Maria Lapa - Domingo, 12 Fevereiro 2012, 15:40

Olá a todos:

O Jorge apresentou aqui dois aspetos que poderão em determinadas situações colocar em causa a realização de uma investigação com base no modelo DBR e que me fez refletir com uma situação prática.
A primeira está relacionada com a transposição dos resultados para outros contextos, isto é, a dificuldade em ampliar os resultados de uma investigação que foi desenvolvida num ambiente próprio e até específico para outros contextos muito diferentes. Este aspeto tem sido usado por muitos especialistas para desvalorizar este modelo e até equacionarem os resultados de investigações com base no modelo DBR. O colega Jorge colocou aqui um exemplo muito simples - professor de uma disciplina, em principio na mesma escola, portanto um ambiente muito específico e comum, mas que obriga a ter estratégias muito diferenciadas entre turmas - é um claro exemplo que quando a transposição dos resultados é colocado em ambiente escolares diferentes, inseridos em contextos sociais diferentes, a sua aplicação poderá não ocorrer da mesma forma. Nestes casos, deverá o investigador ao mesmo tempo que vai desenvolvendo e até reformulando os resultados das pesquisas procurar achados que transcendam o contexto imediato do estudo e que passem a servir de base a outros projetos, investigações ou a encontrar aspetos standarizados para outros contextos.Apesar do modelo partir da ideia de intervir e alterar as práticas dos docentes, a mesma só fará sentido, num contexto mais generalizado e onde seja possível implementar em contextos muito diferentes os resultados obtidos e refletidos de uma determinada investigação - que resultou numa nova prática de trabalhar.
No entanto, tal como, o Jorge aqui exemplificou e bem com o seu exemplo prático, uma investigação a realizar-se com as suas várias turmas, com a implementação de atividades e estratégias tão diferentes implicarão um número elevado de variáveis a estudar e como tal o tratamento desses dados por parte do investigador será complexo e até demorado. Esta complexidade poderá aumentar caso seja necessário reformular e realizar novas implementações em contexto real.
A par disto, existe uma clara necessidade da reformulação das aulas e do trabalho com as respetivas turmas por parte do docente com todas as implicações que conhecemos em termos de cumprimento do programa curricular, das interações, da organização do trabalho etc . Tudo isto pressupõe que investigações com base no modelo DBR só farão sentido com professores que estejam dispostos a romper com os modelos tradicionais e com as rotinas de aulas e assumir riscos, “… Esta abordagem centra-se não só na aprendizagem pelos alunos ou nas propriedades de um artefato, mas também nos conhecimentos do professor (eg. sobre linguagem científi ca, sobre o uso de investigações, sobre as TIC) num contexto autêntico de sala aula (JUTTI; LAVONEN, 2006), na vontade deliberada de romperem com as suas rotinas de sala de aula e de correr o risco de implementarem estratégias diferentes daquelas que põem em ação habitualmente (LOUGHRAN, BERRY; UMLHALL, 2006).”
Até já.
Lisete

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