domingo, 29 de janeiro de 2012

Participação final no fórum sobre a temática 3

No final da temática o professor lançou o desafio de realizármos um debate final sobre a temática 3. Deste modo, lançou ao grupo de mestrandos o desafio de refletirmos e debatermos sobre algumas questões que lhe parecerem uma reflexão particular.



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4.ª fase- Debate Final Tema 3
por António Moreira - Segunda, 23 Janeiro 2012, 14:31
Boa tarde a todos,

Estamos quase na fase final desta actividade.aprovador
Espero que tenha sido uma boa experiência para todos a condução e análise de uma entrevista. Aqui, mais do que o produto final, a grande aprendizagem deverá ter sido o processo pelo qual passaram e que provavelmente terão de repetir no futuro!

Para finalizar este tema vamos agora ter uma semana dedicada ao debate final.
Há algumas questões que merecem aqui particular reflexão, nomeadamente:
- cuidados a ter durante a realização da entrevista
- como ultrapassar entrevistados pouco cooperantes ou muito divergentes
- dificuldades em estabelecer/rever as categorias de análise
- como garantir que não estamos a sobrepor a nossa "voz" à dos entrevistados quando fazemos a análise

Para além destas questões, podemos também debater quaisquer outras dificuldades que tenham sentido.pensativo
Estão abertas as "hostilidades"piscar

Até já

Saudações






Lisete
Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por Maria Lapa - Terça, 24 Janeiro 2012, 22:39

Boa noite a todos:

Começando por analisar algumas das questões lançadas pelo professor :

Segundo Severino a entrevista é uma técnica que tem por intuito obter informações, por meio de sujeitos entrevistados, sobre um determinado assunto, havendo, portanto, a interacção entre pesquisador e entrevistado. Neste sentido, “O pesquisador visa apreender o que os sujeitos pensam, sabem, representam, fazem, argumenta” (SEVERINO, 2007, p. 124). …
Para isso um entrevistador deverá ter alguns cuidados para que os objetivos da mesma sejam alcançados. Numa fase inicial deverá preparar a entrevista e conhecê-la. Esse conhecimento deverá ser mais alargado indo mais além do que foi colocado no papel. O investigador deverá assim conhecer o contexto em que pretende realizar sua investigação, realizar a leitura de estudos já realizados, assim como, de bibliografia sobre a temática em causa e analisar devidamente as questões e orientação do guião. Esta avaliação visa identificar aspetos inibidores ou desviantes de respostas e perspectivar a identificação de questões onde o entrevistado poderá não conceder respostas reais. Seguidamente deverá seleccionar os entrevistados, se possível, com alguma relação de proximidade como meio de facilitar a comunicação, dar-lhe a conhecer os objetivos da entrevista podendo caso o entrevistado mostre interesse e disponibilidade realizar uma sessão de preparação da entrevista.
Em termos da realização da entrevista o entrevistador deverá considerar:
  • Dar a conhecer os objetivos mesmo que seja breve; se possível apresentar-lhe o guião concedendo-lhe algum espaço de análise e de apresentação de sugestões para a entrevista;
  • Deve garantir a confidencialidade dos dados ao entrevistado
  • Criar um clima aberto e amigável e conceder o tempo necessário ao entrevistado para responder – não deverá realizar a entrevista de forma apressada.
  • Manter-se ao longo da entrevista atento, ouvir cuidadosamente o que o entrevistado diz e enviar sinais de entendimento, com gestos ou expressões faciais e até verbais – agradecimentos, pois facilitará a interação.
  • Se houver uma questão menos entendível deverá ser clarificada no sentido de dar a entender que o problema decorre da forma como foi colocada a questão.
  • Não se mostrar muito evasivo e não cortar a palavra ou o pensamento do entrevistado - deixando-o falar.
  • Quando o entrevistado apresenta alguma insegurança ou mesmo apreensão para responder deverá o investigador encorajá-lo e apoiá-lo.

Relativamente à questão dos entrevistados pouco cooperantes deverá o investigador tentar eliminar a barreira criando um clima amigável e de alguma liberdade, talvez caminhar para a entrevista mais informal. Para além disso, deverá evitar as questões fechadas do tipo sim/não. Com a preparação das entrevistas isso pode ser antecipadamente detetado.

No caso do entrevistado apresente resistência a responder deverá o entrevistador encorajar, ouvir e reformular as questões (transparecendo sempre que talvez não tenha respondido porque a questão não foi bem exposta pelo entrevistador). Nestes casos deverá o investigador reformular as questões e evitar (mesmo) ser evasivo. Deverá com este tipo de entrevistado evitar a gravação (os primeiros minutos que antecedem à entrevista ou mesmo uma eventual sessão de preparação da mesma deverão ser utilizadas também para fazer esta avaliação).

Apreciei particularmente uma transcrição que li na bibliografia de referência à temática:

“As boas entrevistas exigem paciência. Se não souber porque é que os sujeitos responderam de uma determinada maneira, terá de esperar para encontrar a explicação total. Os entrevistadores têm de ser detectives, reunindo partes das conversas, histórias pessoais e experiências, numa tentativa de compreender a perspectiva pessoal do sujeito.”

Bom trabalho para todos.

Lisete





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Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por António Moreira - Quarta, 25 Janeiro 2012, 15:39
Obrigado Lisete pelos dados que partilhou!
E a sua experiência pessoal como correu?
Saudações



Lisete
Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por Maria Lapa - Quinta, 26 Janeiro 2012, 00:59

Boa noite professor:

Respondendo ao seu desafio começo por partilhar a minha experiência. Neste post irei colocar apenas uma parte porque de fato a experiência ao longo desta temática foi muito enriquecedora e por isso mesmo pretendo partilhar, ainda que por fases.
Face ao desafio e respondendo à questão do professor :
A minha experiência desenvolveu-se assente em quatro fases:
• A preparação da entrevista;
• A realização da entrevista;
• Transcrição da entrevista
• Elaboração da matriz para análise do conteúdo.

A preparação da entrevista

Preparação da Entrevista

Relativamente à preparação da entrevista comecei por ler alguma bibliografia sobre a temática e tomei consciência de alguns aspetos relevantes e sobre a forma de guiar a entrevista. Perceber o conceito e objetivos da entrevista semi-estrutura permitiu-me entender que a proposta de guião tratou-se de um instrumento flexível e de orientação concedo-me grandes vantagens da gestão e aprofundamento de aspetos relevantes ao estudo proposto. Deste modo, procedi à análise do guião, avaliei algumas questões onde poderia não obter grandes resultados, nomeadamente, se escolhesse um entrevistado menos cooperante e estruturei uma reformulação possível à entrevista. Esta preparação incluiu ainda a avaliação de potenciais candidatos à entrevista e de onde pudesse obter bons resultados ao estudo.

Escolha do entrevistado

Para a realização desta entrevista convidei alguns professores de diferentes áreas que lecionam em escolas do concelho onde sou docente e de acordo com o perfil proposto. Destes convites obtive da parte de todos um feedback muito positivo para participarem no estudo pois tratam-se de docentes que possuem algumas afinidades com as redes sociais e com as tecnologias da informação e da comunicação.
Decidi selecionar uma professora do ensino básico e secundário possuidora de um excelente currículo na área das tecnologias da informação e da comunicação, sendo reconhecida pelo comunidade escolar onde trabalha como alguém muito disponível a novos desafios e onde as redes sociais fazem parte da prática do seu trabalho. Desse modo, agendei com a mesma uma data e hora para a realização da entrevista tendo a mesma se disponibilizado a realizar a entrevista na escola onde lecciona. Procurei, deste modo, criar um clima amigável e muito próximo da entrevistada. Até recentemente julgava que a escolha do docente não deveria ser com base nos resultados a que me propunha obter, julgava mesmo, que deveria ser realizada de forma aleatória, mas na última bibliografia apercebi-me que a forma de escolha que estabeleci é a mais correta.

Preparação da entrevista com o entrevistado

Em termos preparativos dei a conhecer antecipadamente o guião de orientação da entrevista, o formato da entrevista – semi-estruturada e presencial - assim como, as questões que estiveram na base da investigação. Para além disso, foi transmitida que a referida entrevista se iria realizar respeitando a confidencialidade dos dados. Pedi-lhe sugestões sobre a entrevista também para perceber onde teria de reestruturar tendo para isso por disponibilização da própria entrevistada ocorrido entre alguns contatos.

A realização da entrevista

Durante a realização da entrevista:

No início voltei a apresentar de forma ligeira os objetivos e a garantia da confidencialidade. Coloquei a entrevistada à vontade caso não pretende-se responder a alguma questão mais especifica. A própria gravação foi realizada com autorização da entrevistada. Ajustei a entrevista à mesma tendo ao longo da mesma reformulado ou alterado a ordem das questões, precisamente, para não cortar ou obrigar o entrevistado a repetir as respostas. Utilizei uma linguagem acessível por vezes com recurso a algumas expressões de concordância decorrentes da entrevista mais informal porque percebi que a entrevistada possuía um conhecimento muito claro sobre a temática. Aproveitei o conhecimento da entrevistada e criei espaço para reflexão da temática ao longo da entrevista (procurando dados relevantes ao estudo).
No fim, agradeci manifestando a importância dessa entrevista para o trabalho da unidade curricular tendo tido o cuidado de não terminar de forma abrupta, aproveitei, a época que estava a chegar – Natal e ano novo, para terminar a entrevista de uma forma mais ligeira.

A preparação e a realização da entrevista trataram-se dos momentos da temática que mais me senti envolvida pelo tipo de experiência - desenvolver um trabalho de campo - e pelos conhecimentos que fui desenvolvendo.
Até já.

Lisete




Imagem de António Moreira
Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por António Moreira - Quinta, 26 Janeiro 2012, 11:44
Obrigado Lisete!piscar
Estou esclarecido! E os conhecimentos aprofundados da sua entrevistada não lhe causaram problemas na condução da entrevista! Não foi por caminhos que a Lisete não estava à espera?
Saudações




Lisete
Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por Maria Lapa - Sexta, 27 Janeiro 2012, 18:47

Boa tarde:

Quanto às suas últimas questões não senti - tal como disse em algumas intervenções que já realizei - dificuldades na condução da entrevista, pelo contrário, apercebi-me das dificuldades antecipadamente e das vantagens do tipo de entrevista que teria de realizar e desse modo preparei-me para eventuais questões mais sensíveis procurando explorar as potencialidades do tipo de entrevista que foi solicitado pela unidade curricular – entrevista semi-estruturada.

Quanto à questão “Não foi por caminhos que a Lisete não estava à espera?” A questão faz sentido, no momento após a elaboração do guião, ou no caso de encontrar um entrevistado que desvia os assuntos ou é pouco cooperante. De fato no momento em que comecei a preparar a entrevista identifiquei aspetos em termos de guião que me levou a alterar o percurso da entrevista - nesta fase constatei que a realização de um teste ao guião aquando a sua elaboração é determinante para o processo da investigação - . No entanto as mudanças foram introduzidas de forma ponderada e considerando os objetivos da entrevista e das propostas elaboradas pelo grupo.

Desse modo, o caminho que segui era o que esperava até porque em momento oportuno identifiquei questões que poderiam causar respostas desviantes. Apesar disso, corremos sempre o risco de ser surpreendidos - até porque uma entrevista também tem um carácter dinâmico - com algumas respostas que nos obrigam até para clarificação a desviar e a procurar uma resposta mais clara, e isso, como é óbvio também aconteceu comigo, ainda assim, tinha preparado algumas questões (algumas muito apresentadas em bibliografia de referência) para voltar percurso delineado para a entrevista. É óbvio que isto só foi possível porque de fato tive um entrevistado cooperante e que vê as redes sociais como instrumentos potenciais a utilizar no sistema educativo (ainda que considerando os devidos cuidados).

Os meus cumprimentos.

Lisete


   
   
Lisete
Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por Maria Lapa - Quinta, 26 Janeiro 2012, 00:43

Bom dia a todos:

Ainda e com referência aos entrevistados pouco cooperantes ou muito divergentes deverão ser consideradas - para além dos apetos por mim apresentados e por outros colegas - :
  • O entrevistador deverá analisar se a resposta dada pelo entrevistador se resultou da falta de domínio da temática ou se de algum fator de resistência ou inibição. Caso o motivo seja mesmo da falta de conhecimento o entrevistador deverá não insistir, pois poderá causar aumentar momentos de maior ansiedade e pressão à entrevista e com isso causar constrangimentos à resposta. Neste caso, o investigador deverá sim reformular a questão ou mesmo dar a entender que não existe qualquer problema se de fato não souber responder.
  • No caso do entrevistado mostrar tendência para se desviar do assunto deverá o entrevistador procurar voltar à questão, ou ao assunto, se necessário pela reformulação das questões.
  • No caso de se tratar de um entrevistado pouco cooperante em responder deverá ainda o investigador reformular as questões num contexto de personalização das questões.

Bom trabalho para todos.

Lisete
      


Lisete
Re: 4.ª fase- Debate Final Tema 3
por Maria Lapa - Sábado, 28 Janeiro 2012, 21:20

Boa noite a todos:


Respondendo às questões do professor sobre as “Dificuldades em estabelecer/rever as categorias de análise” e “Como garantir que não estamos a sobrepor a nossa "voz" à dos entrevistados quando fazemos a análise”.

Dificuldades em estabelecer/rever as categorias de análise

Tendo já apresentado a minha experiência a este nível apenas aqui deixo a minha perspectiva das potenciais dificuldades no estabelecimento ou na revisão de categorias de análise.
Numa primeira fase a dificuldade na elaboração de categorias e subcategorias poderá estar associada aos conceitos de análise de conteúdo que são na maioria muito subjectivos. Também o tipo de entrevistas realizada (por exemplo: uma entrevista complexa) e os resultados obtidos das entrevistas; poderão estar na base dessas dificuldades. As dificuldades referenciadas anteriormente poderão a ser aumentadas se o investigador se vir confrontado com entrevistas muito diversificadas (isto é entrevistas com diferentes resultados) em termos de respostas durante a sua investigação. Nesse contexto deverá o investigador recorrer-se, numa primeira fase das questões que estiveram na base da investigação, dos objectivos que pretendia atingir e do guião produzido.

Contudo as dificuldades para estabelecer as categorias poderão também estar associadas a um guião mal elaborado - questões mal elaboradas, sequências desajustadas ou no momento da análise o investigador constatar que existem questões que podem estar em mais do que um tema - . Estes aspetos poderão estar na origem da criação de alguma dificuldade/confusão nesta fase e dessa forma dificultar a obtenção de análises mais compreensivas. Para evitar isto, a realização de testes ao guião é crucial (tal como já foi referenciado por outros colegas neste fórum).


Como garantir que não estamos a sobrepor a nossa "voz" à dos entrevistados quando fazemos a análise

Nesta questão considero que o entrevistador é na verdade um investigador devendo apenas cingir-se às opiniões manifestadas pelos seus entrevistados. Apenas deverá utilizar os dados que obteve para dar resposta às questões em estudo, não devendo, a apresentar juízos de valor. A forma de garantir que não nos estamos a sobrepor à voz do entrevistado é em momento anterior à análise – transcrição da entrevista - apresentarmo-nos fiéis e transcrever apenas o que foi transmitido. E é a partir dessa transcrição e da recolha dos dados que deveremos fazer a análise considerando apenas as reflexões, opiniões do entrevistando, descurando as nossas perspectivas, visões da temática em estudo.


bom trabalho para todos.

Lisete

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