domingo, 6 de novembro de 2011

O paradigma Crítico na Educação

Os paradigmas provêm de princípios ideológicos e visões distintas que servirão de suporte a diferentes perspectivas da investigação. Ao investigador, com base no estudo que pretende desenvolver compete-lhe escolher a corrente ideológica que melhor suportará o seu trabalho.

O paradigma crítico apresenta-se como uma alternativa aos modelos teóricos de investigação dominantes: o positivista e o interpretativo. Este paradigma parte de princípios ideológicos, nomeadamente, a nível social e de uma forma activa e interventiva actua na mudança, isto é, na procura de uma nova concepção investe na alteração da ideia inicial que por questões sociais e históricas se mantém. Esta concepção deverá ser desenvolvida num contexto rigoroso. 

Sobre isto o autor Schweppenhaeuse referiu: 

“A Teoria Crítica almeja a mudança da sociedade como um todo. O seu critério normativo para alcançar a mudança pretendida é a eliminação de tudo aquilo que está deformando o homem, de tudo aquilo que oprime o incapacita para se opor à injustiça. Nesse sentido, a crítica da sociedade é uma crítica auto-reflexiva, crítica que tem que se basear no conhecimento real da realidade criticada, pois, para Adorno, a primeira empreitada da crítica é confrontar a realidade com as normas que a estruturam porque é da compreensão desta relação que se pode apreender a verdade sobre a realidade. É preciso deslindar como essas normas atuam sobre os sujeitos. Assim, a sociedade poderá ser avaliada na medida em que permitir desvendar como as relações sociais estabelecidas não possibilitam para os homens uma vida social digna e correta, e como pode ser de outra forma.

Por conseguinte, a sociedade, nomeadamente os participantes nos estudos são chamados a intervir, na qualidade de alguém que suporta um conhecimento, vivências, experiências, mas que é aqui mobilizado a alterar a sua situação social, isto é, a intervir numa acção como agente explorador mas que visa a alteração da sua situação anterior. O investigador também não fica imune a este processo apresentando-se com alguém muito envolvido.

Este paradigma é encarado por muitos desde o seu surgimento como um paradigma emancipatório, porque o mesmo é encarado por ser capaz de resgatar os princípios de autonomia do sujeito, a capacidade de auto-reflexão, a capacidade de resistência e progredir na mudança de forma autónoma.

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